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117 milhões de pagamentos com QR em um mês na Argentina: agora cada um precisa bater com o banco
Segundo o BCRA (o banco central da Argentina), em agosto de 2026 foram feitos 117,2 milhões de pagamentos com QR interoperável, 67,5% a mais do que um ano antes, somando ARS 2,9 trilhões. Receber é a parte fácil. Fazer cada peso bater com o banco no fim do dia é o que separa uma operação saudável de um problema contábil.

O que diz o relatório
O relatório de pagamentos de varejo do BCRA (Informe de Pagos Minoristas) de agosto registra 118,3 milhões de pagamentos por transferência, e 99,1% deles foram iniciados com um código QR. O valor dos pagamentos com QR cresceu 62,9% na comparação anual, em termos reais. Feita a conta, o pagamento médio fica em torno de ARS 24.700: muitas cobranças pequenas.
O dinheiro sai quase em partes iguais de contas bancárias (52,7%, com CBU, o número padrão de conta bancária na Argentina) e de carteiras digitais (47,3%, com CVU, o número de conta virtual do sistema de pagamentos argentino). Do lado do comércio, 53,8% foram creditados em contas de pagamento e 46,2% em contas bancárias. Há 92 carteiras interoperáveis e 67 aceitadores registrados. Enquanto isso, em julho, os pagamentos com cartão de débito caíram 8,4% e os com cartão de crédito, 9,2% em quantidade.
Por que conciliar fica difícil
Com cartão, o comércio recebe uma liquidação agrupada da credenciadora. Com QR, cada pagamento é uma transferência que chega separada, de qualquer uma entre dezenas de carteiras ou bancos, e às vezes em mais de uma conta do mesmo comércio. É preciso casar cada crédito com a sua venda e detectar o que chegou duas vezes, o que chegou atrasado e o que nunca chegou.
Com poucas cobranças por dia, uma planilha resolve. Com milhares, a planilha fica para trás e as diferenças se acumulam até o fechamento do mês, quando ninguém lembra mais o que aconteceu. O trabalho sai do balcão e vai para o sistema: referências únicas, notificações idempotentes e um cruzamento diário automático.